quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013


Pai ausente, filho doente.

Pesquisas provam que a figura paterna é tão importante para a criança que, quando ela se sente relegada a segundo plano, acaba com problemas de saúde.
 
Quem nunca presenciou uma cena como a que sugere a da foto ao lado? Imerso na leitura do jornal, o pai ignora o filho, que suplica por alguns momentos de atenção. Frustrada com a rejeição paterna que remédio? , a criança se retira e vai brincar sozinha ou com algum amiguinho. Se isso acontece uma vez ou outra, nenhum problema. Agora, caso vire rotina, ela pode levar para a vida adulta uma série de transtornos psicológicos. A curtíssimo prazo, ou seja, ainda na infância, esse distanciamento acaba até mesmo afetando a saúde do pequeno enjeitado.
Vamos abrir mão de preconceitos: as mães também podem assumir essa postura de pouco caso. Mas o que você vai ler aqui são revelações que focam a figura do pai. Um deles vem do outro lado do mundo. A pediatra Melissa Wake, do Royal Childrens Hospital, em Melbourne, na Austrália, acaba de realizar uma pesquisa com quase 5 mil crianças entre 4 e 5 anos. Ela descobriu que a incidência de sobrepeso e obesidade na garotada em idade pré-escolar tem relação direta com a negligência dos papais.
Por que isso acontece? Ninguém sabe ainda.


Acena é clássica em filmes americanos: os grandalhões da equipe de futebol infernizam a vida do protagonista da trama, em geral um garoto tímido e franzino, incapaz de se impor diante da brutalidade dos colegas. O garoto indefeso é perseguido, ridicularizado, humilhado e, nas cenas mais dramáticas, até surrado, enquanto seus algozes saem impunes. No decorrer da película, o personagem principal, com auxílio de seus amigos nerds, rebela-se contra a tirania dos agressores e passa de vítima a herói. 
Na vida real, no entanto, as histórias em que há esse tipo de violência nem sempre acabam com o mesmo final feliz e hollywoodiano. O fenômeno conhecido como bullying tem consequências preocupantes para a saúde física e principalmente emocional de seus atores — tanto faz se são os agressores, as vítimas ou as testemunhas. E o que é pior: a intimidação, o medo e a vergonha sedimentam um pacto velado de silêncio entre os jovens. É comum que pais e educadores só se deem conta do que está acontecendo quando a situação chega a extremos. Diante de quadro tão crítico, a pergunta é uma só: o que fazer? 

"Em primeiro lugar, manter a calma", aconselha o pediatra Aramis Antônio Lopes Neto, do Departamento de Segurança da Criança e do Adolescente da Sociedade Brasileira de Pediatria. Entender o fenômeno é um excelente começo. Sem tradução direta para o português, o termo é utilizado para designar violências físicas e psicológicas praticadas de forma recorrente por um indivíduo ou um grupo deles contra um mesmo colega, que acaba se tornando uma espécie de bode expiatório. Mais frequente na escola, nada impede que aconteça no condomínio, no bairro, na família e no trabalho — adultos também podem sofrer com esse tormento. 

A maneira de agredir varia muito: verbal, física, moral, material e até sexual. As crianças apelidam, batem, amedrontam, discriminam. De uns tempos para cá, e-mails, blogs, fotos e SMSs incrementaram o arsenal da garotada — criando a variante batizada de ciberbullying. O motivo que justifica o ato violento, em geral, é apenas um pretexto, qualquer coisa que diferencie a vítima: estatura, peso, pele, cabelo, sotaque, religião, notas, roupas, classe social ou outra característica que sirva ao preconceito.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013


Para evitar problemas futuros, o acessório deve comportar no máximo o equivalente a 10% do peso da criança.

Um projeto de lei que define a quantidade de material que deve ser carregada nesse acessório está sendo analisado pelo Senado brasileiro. Mas, com ou sem lei, a Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia, a Sbot, recomenda que tudo aquilo que é transportado nas costas não passe de 10% do peso corporal do pequeno. Caso a lei entre em vigor, é difícil imaginar como a fiscalização ocorreria, por isso o cuidado ainda recai sobre os pais. "Eles devem, inclusive, participar da escolha da mochila, com alças largas e acolchoadas e vários compartimentos, para uma melhor distribuição do peso", aconselha o ortopedista Miguel Akkari, da Sbot. As malas de rodinha são outra opção, mas, se a escola for cheia de escadas, melhor ficar com a mochila mesmo. 

O que e como carregar

Peso Se seu filho tem 40 quilos, por exemplo, o material que leva nas costas não deveria passar de 4. 

Distância Se a criança vai para a escola caminhando, tente diminuir ainda mais o peso. 

Posição A mochila deve ficar encostada sempre na altura da lombar.

"Parecia que o Gabriel estava indo para o Exército. Eu me debulhei em lágrimas", conta a professora de inglês paulista Ariana Verdi, 42 anos, mãe do garoto de 2. A reação de Ariana é compreensível. Afinal, o primeiríssimo dia de aula de uma criança marca o início de sua independência, algo encarado com um misto de ansiedade e culpa por muitos pais. Foi o que mostrou uma pesquisa realizada em Curitiba, no Paraná.
 
O trabalho revelou que 22% das mulheres de nível socieconômico privilegiado se sentem culpadas por deixar seus pequenos na escola. Entre as de baixa renda, esse índice é de apenas 3%. "No primeiro caso as mães procuram realização pessoal", explica a psicóloga Lidia Weber, autora do trabalho. "Elas acham que dão mais importância à carreira em detrimento dos filhos", completa a professora da Universidade Federal do Paraná. "Já as do segundo grupo trabalham por necessidade. Se pudessem parar, ficariam em casa."

Os especialistas garantem: é normal os pais vivenciarem esse tipo de sentimento. "Eles apenas devem se controlar para não contaminar o filho. A criança é como uma esponja: absorve tudo", diz a psicóloga. Esse cuidado é importante, porque ir à escola desde muito cedo só faz bem, atestam diversos estudos. "Essa é a fase da vida de maior desenvolvimento cognitivo e emocional", diz Fernanda Nedopetalski, coordenadora pedagógica da Escola de Educação Infantil Quintal, em São Paulo. "No colégio as crianças têm estímulos o tempo todo."

É claro que os pequenos também podem estranhar a nova realidade, o que não deixa de revelar certas carências. Por exemplo: o moleque que faz escândalo durante a despedida no portão da escola é classificado pelos psicólogos como ansioso e precisa reafirmar o companheirismo dos pais. Segundo padrões internacionais, 19% dos meninos e das meninas se encaixariam nessa definição. Por outro lado, 21% da garotada seria do tipo apático, ou seja, não demonstra interesse pela aula nem mostra felicidade no horário de saída, quando pode ir para casa. Aí a solução é dar mais e mais carinho.

Aliás, a escola é de grande valia nas duas situações. "O importante é ir aos poucos no processo de adaptação. Um dos pais deve permanecer na escola até a criança ficar à vontade", opina Silvana Leporace, que trabalha com orientação educacional no Colégio Dante Alighieri, em São Paulo. Em geral, porém, cerca de 60% da criançada é considerada segura. Logo, logo entra direto na sala de aula, mal se despedindo dos pais — que, cá entre nós, na hora agá até sofrem um pouco com o desdém. Mas ele é um ótimo sinal. "Essa criança tem certeza de que eles a amam e vão buscá-la ao final do dia", diz Lidia. Aí, quem precisa se acalmar é o pai ou a mãe.